O consumo e os pequenos

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 Sabe aquela vontade que você não sabe bem o que é mas tem certeza de que ela está ali dentro? Aquele vazio sem nome que de tempos em tempos corrói nossas paredes estomacais? Uma sensação estranha que nos guia à geladeira, ao supermercado ou à loja mais próxima? Pois é, essa vontade com a qual muitos de nós já está habituado ou sabiamente aprendeu a perceber quando ela aparece, também surge nos nossos pequenos. E aí o quê fazer?

Eu preciso comprar isso!
Quem nunca teve um pequeno ataque de ansiedade quando viu uma bolsa, um vestido ou um livro? (Sim, livros, inofensivos às vezes, mas que também podem nos levar a falência!) Quem nunca falou sozinho dentro de uma loja se dando explicações do por que adquirir aquele produto ou aquela coisinha por menor que fosse?
Nós todos já experenciamos um momento assim e muitos de nós aprendemos a lidar com os negativos na frente de números bancários derivados de consumo acelerado. Mas e as crianças? Como prepará-las para que possam lidar com esse impulso e todo o bombardeio publicitário que elas recebem diariamente?

O discurso e a coerência
Vamos ao shopping e logo quando chegamos na frente do carro precisamos ter em mente o que nos leva até lá! Conversar com a criança sobre as razões da saída é sempre a melhor opção! Porque sim, eles vão se lembrar de algo que viram na TV e que precisam urgentemente! O problema está quando nós, adultos, fugimos do combinado…
Nesta semana, uma aluna minha demonstrou uma angústia parecida… “Teacher, eu preciso comprar todas as bonequinhas em miniatura pra minha coleção!” –  “ Precisa mesmo?” perguntei. “Mas você está brincando com todas elas ao mesmo tempo?”
“Não, não estou! Eu nem brinco com elas, eu quero TER elas!”
Conversamos um pouco sobre alguns valores que havíamos discutido em sala e ela desabafou: “Sabe teacher, minha mãe sempre me fala tudo isso, mas quando vamos no shopping ela compra um monte de coisas!”
Naquele momento percebi que nosso diálogo enfraquece quando agimos de maneira disforme aos combinados e o quão difícil muitas vezes é mantermos o que foi dito anteriormente. E claro, que o problema não está em comprarmos, mas sim, no modo como compramos e lidamos com os impulsos.

Toddler with shopping bags.

Conversa vai, conversa vem
Ao conversarmos com nossos pequenos sobre o consumo impulsivo e até mesmo banal, me vem à memória as inúmeras vezes que meu pai dizia que dinheiro não dava em árvore e eu, uma criança com imaginação ativa, pensava que o trabalho dos meus pais era apenas procurar a tal da árvore que com certeza fazia nascer dinheiro! O que quero dizer, é que muitas vezes precisamos apenas mostrar o valor das coisas para as crianças, bem como ensiná-las a refletir sobre a necessidade daquela compra e muitas vezes da origem daquele desejo em ter aquele bem! (Muitas vezes nascido em frente a TV: propagandas e propagandas…)

Precisa mesmo?
Uma outra alternativa simples e sempre muito eficaz está em se divertir sem precisar comprar! Como? Jogos de tabuleiros, passeios ao ar livre, brincar com os animais de estimação, assistir a um filme, ler juntos e muitas outras brincadeiras que podem divertir toda a família sem necessariamente precisar sair para comprar algo.

Assim, iniciaremos nos pequenos alguns princípios importantíssimos como a importância do questionamento pessoal (preciso mesmo?), o pensamento crítico diante da publicidade (menos TV e mais brincadeiras!) e o valor da mesada (você usa o seu dinheiro e então terá de esperar até o próximo mês).

Quero saber mais!
Documentário de Estela Renner e Marcos Nisti: Criança, a alma do negócio. 2007 http://youtu.be/KQQrHH4RrNc
Instituto Alana aborda o tema de maneira excelente! alana.org.br

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