O mundo de Sofia e o nascer de uma leitora

Aos 15 anos, no auge da minha rebeldia parentística fiz algumas escolhas que refletiriam muito na pessoa que me tornaria mais pra frente!

Uma delas foi SER LEITORA! 
Sim, um dia eu acordei e disse “quero ser LEITORA!” Eu simplesmente queria entender o mundo todo, queria engolir toda a sabedoria desse e respirar tudo, tudo o que pudesse me transformar em uma LEITORA.

Então, movida por esta decisão estava disposta a ler tudo o que pudesse, tudo o que meus olhos, sem óculos até os 22, conseguissem e pudessem ler.

Já tinha lido boa parte da série vagalume, já tinha começado os clássicos na escola, de um jeito sem muito entusiasmo e emoção – e aqui um parênteses: reconheço os esforços de alguns professores, mas AINDA BEM e aos deuses do Olimpo, tive professores brilhantes na graduação que me sequestraram e me encantaram com o brilho nos olhos e o amor a literatura. Fechando o parênteses – Nessa altura do campeonato, já tinha rodeado os livros da minha mãe… mas ainda não tinha encontrado motivos suficientes para ficar horas sentada e com os braços doloridos.
E agora??

Essa decisão, junto com a que tive aos 13, me deixava de cabelos em pé, porque me “obrigava” a ser aquilo que estava optando por ser! Me “obrigava” a ter disciplina, afinal de contas, tentava entender afinco, por que Renato cantava com tanta convicção que DISCIPLINA é LIBERDADE, e lá estava eu na minha luta por SER uma LEITORA.

Lembro de entrar em uma tímida livraria Nobel que tinha acabado de abrir e ainda cheirava a tinta fresca, e ficar passando os olhos nos muitos Paulos Coelhos, nos muitos livros espiritualistas e nos livros repletos de figuras. Foi então que o nome e a capa de um em especial me chamara a atenção.
Peguei, abri e comecei alí o que vinha a ser uma mania reconhecida em muitos leitores: o de abrir o livro no meio e cheira-lo! Como se pudéssemos de alguma forma respirar aquelas letrinhas…
word wind
Logo na primeira página fiquei atônita! “Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer.”
EU: QUE? COELHO? ALICE? COMO ASSIM?
Segui as próximas páginas e decidi ler o comecinho do primeiro capítulo que por genialidade me puxou pra dentro daquelas páginas como um furacão que arrebata e leva! E foi tão forte mal conseguia sustentar meus pés. Ele dizia assim: “Sofia Amundsen regressava da escola. Percorrera com Jorunn o primeiro trecho do caminho. Tinham conversado sobre robôs. Para Jorunn, o cérebro humano era um computador complexo. Sofia não estava de acordo. Um homem deveria ser algo mais do que uma máquina.”
EU: CARACA! Eu também acho que somos mais que máquinas e que não estamos aqui a passeio!!
Ali mesmo, no meio da livraria, engoli o primeiro capítulo e me identifiquei com aquele entusiasmo de ler algo que realmente CONVERSE com você! (sim, você sabe do que estou falando).

No auge dos meus 15 rebeldes anos, fui lançada no romance de uma outra menina que tinha a minha idade e recebia mensagens com perguntas intrigantes: Quem é você? De onde vem o mundo? E nomes da filosofia mundial viriam a tomar forma e cores nas minha anotações e aumentavam a minha curiosidade sobre o ser humano, o universo, os enigmas do mundo e a grande viagem que é a vida…

E eu, a menina de preto que queria se tornar leitora, viria a ser eternamente grata pela amizade da Sofia!
Conversas, desabafos, reflexões de uma pessoa que hoje teve a alegria e os olhos úmidos de ver uma menina com o Mundo de Sofia nas mãos.
A Daniela dos 15, de camiseta preta do nirvana, com fone de ouvido e desenhos coloridos no corpo leu muita poesia, traduziu todas as músicas do primeiro CD de sua vida – dookie do green day e leu muito Paulo Coelho também!

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