Ode ao joelho ralado

Ficar alguns minutos observando meus alunos no playground me faz, além de rir sozinha, amarrar cadarços, dizer alguns “be careful, but go!” outros vários “okay no worries, now go on and have some fun!” e muitos “Yay!” comemorando a conquista da subida na árvore ou chute certeiro no golzinho. Me ajuda a perceber que com minha turminha de primeiro ano (galerinha de 6/7 anos) a ida ao parque, as brincadeiras de movimento (cordas, hand clapping, amarelinha, entre outras) tomam um espaço enorme do aprendizado como um todo.

Sinto que em momentos assim, eles estão mais receptivos a cada sugestão que possa dar, como quando preciso incluir uma regrinha ou outra no jogo, aumentar o nível de dificuldade entre o bater a palma e cantar um pedaço novo da rima e por aí vai…
E enquanto escrevia esse parágrafo, lembro de como o 4o ano (fundamental I) também se diverte e aprende muito quando jogamos queimada, batata quente ou algum jogo inventado ali na hora, que os faça movimentar e os ajude a lembrar de frases e situações aprendidas em um primeiro momento da aula.
Brincar com o corpo, tentando juntar o intelecto e o físico é algo que hoje em dia considero arte!! E precisamos revisitar esta arte!

Mas por que, Dani? O que você quer dizer com isso?

Ao longo dos anos, noto a falta de joelhos e braços ralados em minhas crianças. Com o passar do tempo, aquele vai e vem de brincadeiras naturalmente dá espaço às rodas de conversa e aos celulares, o que considero saudável e comum ao nosso crescimento. Porém o que realmente me incomoda é a falta da brincadeira livre, dos jogos com o corpo, da aventura em si que vivemos enquanto brincamos livremente. E para onde elas foram?
E será que é só isso?
Não, não é!
Pense em um pátio de escola. Agora pense no corre-corre, na gritaria, nas bolas que aparecem do nada, nas gargalhadas e nos muitos “Ai!!!” quando alguém cai ou quando uma parede aparece enquanto um deles corria para bater a vez no esconde-esconde.
Diante desse cenário que parece caos, pense nos riscos e aventuras que essas crianças estão vivendo. Pense na coragem do “eu vou conseguir pegar ela!” (no pega-pega) que a criança está sentindo enquanto brinca e nos muitos “será que vou conseguir?” quando algum amigo o desafia a não deixar a bola cair.
Agora pense nos muitos “Não, não sobe aí! Sai daí menino! Para de correr! Você vai cair!” que escutamos e que falamos; pois é, vivemos um momento em que muitas de nossas crianças estão perdendo a noção espacial, encontram mais dificuldades motoras enquanto desenvolvem atividades manuais, além de perderem os muitos momentos de superação e imprevisibilidade que enfrentariam enquanto brincam e se movimentam.

E como mudar esse quadro?

Primeiramente precisamos nos conscientizar (pais e educadores) da importância do brincar, do movimento, do lúdico, pois eles ensinarão aos nossos pequenos jeitos de superar algo e principalmente, de se tornarem cidadãos que possam pensar por eles mesmos. Olha aí a tal da autonomia!
E é disso que estamos falando. Dos joelhos e braços ralados, da fantasia ao cuidar de uma boneca, ao ser o craque do futebol quando se acerta o gol e claro, das superações e frustrações que aprendemos a lidar ainda criança.
Vamos então trocar alguns “nãos” por “tome cuidado mas vai lá!” e “go out and play!”
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